Quando uma advogada da 17ª Subseção da OAB-MG, em Paraguaçu, decidiu procurar ajuda, ela já não conseguia mais sustentar sozinha o peso da violência que vivia. Psicologicamente abalada, impossibilitada de exercer plenamente a profissão e responsável pelo sustento de duas filhas e duas netas, encontrou na Caixa de Assistência dos Advogados de Minas Gerais (CAAMG) muito mais do que um benefício financeiro: encontrou acolhimento, segurança e a oportunidade de reconstruir sua vida.
“Enfrentei todo tipo de dificuldade. Me senti fraca psicologicamente, envergonhada socialmente e impotente diante de tudo que estava vivendo”, relata. “Me senti violentada, agredida e acuada pelo meu ex-marido. A sensação era de impotência e, talvez, uma culpa ainda maior porque eu, como advogada, acreditava que deveria ser forte e saber me defender.”
O relato evidencia uma realidade que ainda atinge milhões de mulheres brasileiras. Dados nacionais mostram que a violência doméstica permanece como um dos principais desafios sociais do país, atingindo mulheres de todas as classes sociais, profissões e idades.
Um auxílio criado para proteger quem mais precisa
Sensível a essa realidade, a CAAMG mantém desde 2023, o Auxílio Violência Doméstica, benefício destinado a advogadas inscritas na OAB-MG que estejam em situação de vulnerabilidade econômica em decorrência da violência sofrida e amparadas por medida protetiva prevista na Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006).
O benefício garante suporte financeiro enquanto perdurar a situação de vulnerabilidade, permitindo que a profissional tenha condições mínimas para reorganizar sua vida, preservar sua autonomia e manter o sustento da família durante um dos momentos mais difíceis de sua trajetória.
Mais do que um benefício: uma rede de acolhimento
Ao buscar o auxílio, a advogada encontrou uma equipe preparada para orientar cada etapa do processo.
“Soube da existência do benefício por meio da Vice-Presidente da minha Subseção, à época. Depois, durante o Encontro de Mulheres Dirigentes, em Caeté, fui atendida pela Ana Flávia, Coordenadora do Serviço Social da CAAMG. Ela me orientou e me deu segurança para solicitar o auxílio.”
Embora tenha recebido apoio da Polícia Civil, da Polícia Militar, do Ministério Público e do Poder Judiciário, ela afirma que o acolhimento oferecido pelo Serviço Social da CAAMG foi determinante para atravessar aquele momento. “O recurso financeiro foi importantíssimo porque sou o arrimo da minha casa. Se eu não tivesse esse auxílio, não teria estrutura para manter minha família nem seguir em frente.”
Ela também destaca que o benefício permitiu que retomasse gradativamente sua atividade profissional. “Eu me senti totalmente acolhida pela equipe da CAAMG. Foi como ter uma mão estendida durante todo o tempo.”
Hoje, a advogada faz questão de incentivar outras mulheres a procurarem ajuda. “Vejo o quanto somos privilegiadas por termos esse apoio. A CAAMG me devolveu segurança e dignidade quando eu mais precisava.”
Um compromisso permanente com a advocacia mineira
O Auxílio Violência Doméstica integra a política assistencial da CAAMG, que oferece diversos benefícios destinados a amparar a advocacia em momentos de vulnerabilidade.
Entre eles estão o Auxílio Maternidade, Auxílio Acolhimento, Auxílio Funeral, Auxílio Mensal, Auxílio Extraordinário, Auxílio Especial e o CAAlimento, todos administrados pelo Serviço Social da instituição.
Os assuntos relacionados ao Serviço Social são de competência do Diretor Primeiro-Secretário, Giuliano Almada, e do Diretor Segundo-Secretário, Rodrigo Botti. A operacionalização dos atendimentos é coordenada pela Assistente Social, Ana Flávia Perazoli.
As solicitações podem ser realizadas diretamente junto ao Serviço Social da CAAMG, que presta atendimento humanizado, orientação individualizada e acompanhamento dos casos, garantindo sigilo e respeito às advogadas que necessitam desse suporte.
Acesse o site do Serviço Social da CAAMG
Uma realidade que ainda exige proteção
O relato da advogada de Paraguaçu evidencia uma realidade que continua fazendo parte da vida de milhares de brasileiras. Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgados em 2026, apontam que o Brasil registrou 1.571 vítimas de feminicídio, o maior número da série histórica. Em Minas Gerais, foram 177 casos, reforçando a necessidade de ampliar as políticas de prevenção, acolhimento e proteção às mulheres.
Neste Agosto Lilás, mês de conscientização pelo fim da violência contra a mulher, o tema ganha ainda mais relevância. Em 2026, a Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006) completa 20 anos como o principal marco legal brasileiro no enfrentamento à violência doméstica e familiar contra a mulher.
Sancionada em 7 de agosto de 2006, a legislação transformou a violência de gênero em uma questão de interesse público, criou mecanismos de prevenção e assistência às vítimas, instituiu as medidas protetivas de urgência e fortaleceu a responsabilização dos agressores.
O momento reforça a necessidade de ampliar a conscientização e fortalecer a rede de apoio às mulheres que precisam recomeçar. É nesse contexto que iniciativas como o Auxílio Violência Doméstica da CAAMG demonstram que o acolhimento institucional também pode ser um instrumento de proteção e reconstrução da autonomia das advogadas mineiras.
O podcast Conexão Caixa debate o tema
Como parte da programação do Agosto Lilás, o Conexão Caixa também dedica um episódio especial ao enfrentamento da violência contra a mulher. O programa recebe Isabel Araújo Rodrigues, Presidente da Comissão de Enfrentamento à Violência contra a Mulher, e Elis Angelita Groberio, Vice-Presidente em uma conversa sobre os desafios, a atuação da advocacia, a violência sofrida por advogadas e as ações desenvolvidas pela Comissão, pela OAB-MG e pela CAAMG.
A iniciativa reforça o compromisso da CAAMG com a informação, a conscientização e a defesa da dignidade das mulheres, incentivando toda a advocacia mineira a participar dessa mobilização.